Ideia, conceito, planta, modelo. Até chegar ao ponto de ser construído, um projeto passa por inúmeras formas. Os modelos físicos fazem parte desse processo como uma importante ferramenta que reduz riscos proporcionando uma experimentação segura.

O Mola é um grande aliado para o dia a dia dos seus projetos estruturais. O sistema modular dos kits permite materializar de uma forma precisa e prática o que a sua imaginação conceber, facilitando testes e ajustes desde os estágios iniciais do projeto.

Neste artigo explicamos como o projeto estrutural da ponte pedonal Goián-Cerveira foi concebido e de qual forma o Mola foi usado para testar hipóteses e encontrar soluções para os desafios apresentados.

 

Ponte Goián-Cerveira: um projeto de cooperação transfronteiriça

Poucas obras são tão simbólicas quanto pontes. Quando há a intenção de unir cidades ou países, existem poucas maneiras mais eficientes de ampliar a circulação e criar interação cultural do que construindo pontes.

É exatamente com o espírito de reduzir ainda mais as fronteiras entre Espanha e Portugal que foi criada uma competição internacional com o objetivo de premiar um projeto desenvolvido para conectar o parque Espazo Fortaleza em Goián-Tomiño (Espanha) ao parque Castelinho em Vila Nova de Cerveira (Portugal).

Para essa premiação foi concebida a ponte pedonal Goián-Cerveira sobre o rio Miño. Projetada pelas empresas espanholas Bernabeu Ingenieros e Burgos & Garrido Arquitectos, a ponte faz parte do programa Interreg VA Spain-Portugal (POCTEP), que promove projetos de cooperação transfronteiriça com o apoio da União Europeia.

Por meio da integração dos dois parques, o projeto vai criar o Parque da Amizade, o primeiro parque urbano a conectar fronteiras da Europa, permitindo o acesso de pedestres e ciclistas a ambos os lados do rio Miño.

 

Leveza estrutural para preservar o ambiente

O projeto segue duas ideias principais: a proposta de uma estrutura baseada numa tipologia estrutural híbrida; e a preservação da paisagem, buscando a mínima intrusão no rio e o máximo de leveza estrutural.

O projeto foi baseado na pesquisa de tipologia híbrida entre uma estrutura suspensa e o efeito arco horizontal no deck. 

A ponte vence um vão de cerca de 265 metros, com o deck sustentado a partir do cabo principal – composto de dois elementos de 200 mm de diâmetro – e por dois cabos de 30 mm de diâmetro a cada 12 metros. O cabo principal, por sua vez, é sustentado por dois postes dispostos um em cada margem do rio e que ficam integrados na paisagem.

As características dessa estrutura tornam possível um deck de tamanho bastante reduzido – apenas 30 cm de espessura nas pontas e 60 cm no centro – que diminui a interferência do projeto na paisagem e ajuda a preservar o ambiente.
Foram usados modelos virtuais por todo o processo de design da ponte pedonal, especialmente para a configuração geométrica e o processo de form-finding. Além disso, foi construído um modelo humano, para que fosse possível sentir as forças de tensão e compressão com o próprio corpo.

 

Como o Mola foi usado no design da ponte Goián-Cerveira

Desde o começo, os engenheiros queriam ter um entendimento qualitativo do sistema estrutural que estavam projetando, chegando até a criar um modelo humano, o que possibilitou sentirem as forças de tensão e compressão na estrutura.

Jorge Bernabeu, da Bernabeu Ingenieros, explica porque foi importante usar o Mola como uma ferramenta de design:

"Por um lado, o Mola ajuda como um modelo físico para fazer testes e verificar hipóteses. É muito real, visual e físico. Você pode tocá-lo e sentir a resposta estrutural. Por outro, incentiva a liberdade de brincar. Este segundo aspecto é tão importante quanto o anterior ou até mais."

Os desenhos do projeto foram enviados para o Brasil durante a fase de design. Com os desenhos em mãos, Márcio Sequeira – fundador do Mola – e os engenheiros estruturais da Bernabeu Ingenieros conversavam por meio de chamadas virtuais e realizavam experimentos com diferentes configurações estruturais. Assim, foi possível montar um modelo que representasse o comportamento estrutural do projeto de maneira bastante fiel.

Como o deck possui um formato curvado na horizontal, foi necessário experimentar diferentes soluções para as peças que representavam o piso. A solução final foi utilizar pedaços de papel cortados no formato adequado para a representação da estrutura.

De forma similar, diferentes cabos e barras de comprimento regulável foram utilizadas para simular uma versão simplificada do esquema estrutural da ponte. 

Jorge Bernabeu explica como o Mola foi crucial para o desenvolvimento do design: 

"A articulação dos pendurais, tanto para o cabo principal como para o deck é um detalhe essencial que é muito inteligentemente resolvido com o Mola. O cabo é unido por quatro pendurais com diferentes ângulos e comprimentos.

Além disso, a ancoragem do cabo principal com as torres é um detalhe chave, uma junção essencial. Durante a montagem, desmoronou várias vezes. A tensão de tração estava no limite da força magnética dos elementos. Isso fez com que a estrutura desmoronasse. Foi um alerta sobre a importância de uma determinada junção na segurança de toda a estrutura."

O processo de montagem utilizou suportes temporários que foram importantes para ajustar o comprimento e tensão de todos os arranjos de cabos do sistema estrutural.

Esses suportes temporários foram removidos depois que todos os ajustes nos cabos foram feitos. Ainda foram necessários alguns ajustes finais para equilibrar melhor o deck da ponte, mas o resultado final é um modelo que representa o mesmo esquema estrutural do design original, permitindo um entendimento qualitativo dos fenômenos estruturais ali presentes.

Depois desse processo, as peças necessárias foram embaladas junto com um guia de montagem, para que os engenheiros da Bernabeu Ingenieros pudessem experimentar o modelo com suas próprias mãos.

Bernabeu dá mais detalhes:

"Passo a passo, os suportes provisórios foram removidos simetricamente, do centro para as laterais, regulando a tensão dos pendurais em cada fase. Deve-se notar que os pendurais dos kits Mola também podem ser facilmente ajustados, tanto com as esferas dos pendurais quanto com o parafuso de ajuste. Isso possibilitou ajustar a posição do deck.

No processo do modelo foi um desafio ajustar os pendurais para atingir o equilíbrio geométrico e a horizontalidade do deck. O desafio do modelo nos colocou à frente do desafio de cálculo e construção."

Por meio desse modelo foi possível realizar experimentações sobre a sequência de montagem, perceber a importância da tensão e do comprimento do conjunto de cabos para o equilíbrio e elevação do deck, além da relevância dos cabos de compensação traseira no equilíbrio e na forma.

Segundo Jorge Bernabeu explica, "o modelo Mola seguiu seu próprio processo de construção e teve vital influência na geometria da forma final. Essa foi a parte mais difícil do projeto estrutural."

Jorge Bernabeu também explica como o Mola tornou o processo de design da ponte pedonal mais divertido:

"Precisamos dizer que gostamos de montar o modelo. Isso é muito importante e contribui para o prazer do projeto experimental de estruturas. O projeto não deve ser entendido como uma rotina e cálculo determinista, mas sim como um jogo, um desafio."

O que achou do projeto da ponte Goián-Cerveira? Como você utiliza o Mola no dia a dia dos seus projetos estruturais? Compartilha com a gente aqui nos comentários.

 

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